Os sapatos salientes,
Faziam os personagens principais.
E a história continua a cada passo...
O do sapato verde , lembra?
Esperançoso o coitado,
Seria um dia um famoso ecólogo,
E salvaria a humanidade da catástrofe anti-natural.
E o do sapato vermelho...
Lutador isso ele era,
Mas masoquista,
Não lhe cabiam esperanças sem luta e sem suor.
Tinha ainda os sapatos marrons, beges, pretos...
Pobre massa;
Caminhavam obedientes, seguros de uma segurança estipulada,
Humorados regularmente,
Certamente se faziam discretos,
Não despertando curiosidade à outros pés.
Pouco interessante é verdade.
Os chinelos e sandálias escandalosos no inverno,
Passavam rapidamente, para não serem percebidos
E deste modo, apressados, esquentavam o solado.
Faltaria alguém ainda.
Ah! Como poderia esquecer?
Os sapatos brancos!!!
Que interessante esta cor para sapatos, não?
E UMA NOIVA ENTRA NA IGREJA,
ENQUANTO DEZ MÉDICOS SAEM DE UMA SALA DE OPERAÇÃO.
E a caminhada fica cada vez mais longa,
Enquanto as passagens ficam cada vez mais caras,
Os sapatos cada vez mais gastos
E os sapateiros cada vez mais contentes,
De existirem cada vez mais fábricas incompetentes.
E no entre passo, alguém perde o salto
E fica descalço,
No meio do mundo,
Deslocado, sem rumo,
Mudo...
Nêmora Franco (
Nèka)
07.07.1983
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