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quarta-feira, 30 de julho de 2014

GUERRA



Diante da folha branca pautada...
Aquela vontade de escrever algo,
Algo que me explicasse,
Que deste baixo astral me tirasse.

Falta de inspiração...
Sem brilho, sem ação,
Sem luz, sem paixão.

De repente a mão treme
Muito a fim de dizer algo
Alguma coisa...

Começa a corrida incessante
Palavras que expressem
O interior quase vazio.
Uma guerra!

É como se uma aura protetora
Envolvesse a folha de papel
Que agora já se enche
De meias palavras,
Meias frases,
Meias verdades.

Tudo nubla.
Falta um muso inspirador!
Perto de desistir...
Na reta final...

Sai um pingo de caneta,
Manuseado pela ponta da tinta
Que suja o branco da folha.
E acaba a paz.

Treme a mão que rabisca
risca...
E a poesia se arrisca.

Nêmora Franco (Néka)
07.10.81


MEU QUARTO

Entre estas quatro paredes
Muitos segredos guardei.
Neste quadrado pequeno,
Muito gostei e odiei.

Palavras que aqui ouvi,
Ainda estou a escutar.
Neste pequeno quarto sorri,
Sorri até chorar.

Guardei meu passado no armário
Mas o presente está solto, girando.
Apego-me a um pequeno rosário,
Nos piores momentos fico rezando.

O que me fascina neste quarto,
São os objetos de estimação.
Todos tem um significado,
Em todos eles, meu coração.

Na prateleira de livros,
um pouco de mim encontro,
Em cada página que viro,
Com o passado me confronto.

No porta joias, peças pequeninas,
Bijuterias e cacarecos
Vejo-me menina
Entre as meninas.

No vidrinho de perfume,
Vejo na transparência
Que o líquido assume,
A minha adolescência.

E através da janela
Vejo a paisagem crua,
No meu quarto tudo guardo
E a vida continua.

Nêmora Franco (Néka)
14.05.80

segunda-feira, 16 de junho de 2014

MAMÃE POSSO IR?




E se choro e xingo?
E se brigo e faço?
E se peço?
      Adianta?
E se me nego e paro...
Posso?

Nêmora Franco (Néka)

29.11.1984

ÚLTIMA DE 80


 SAÍDA

A gente...
Se encontra,
Se fala,
Se vê,
Percorre,
Corre da vida,
Liberta,
Desperta,
Chora,
Grita,
Berra de raiva,
Da sociedade,
Do mundo,
Da vida,
E... Acha saída!

ILUSÃO

Fugas da opressão,
Marcas da tua razão,
Recolhida
Acolhida, contida,
Perfume de imaginação,
Teor de ilusão


LÁGRIMAS

Lágrimas,
Água,
Gotas.
Eu amo as lágrimas,
Elas tem sal,
Ardem,
Agridem as rimas.

CALMARIA

Água,
Sal,
Mar
Eu,
Tu,
Luar.

Nêmora Franco  (Néka)
31.12.1980


EU JÁ TE FALEI DAS ESTRADAS?



As estradas são muitas,
Mas o caminho é um só.
Vagando pelas estradas
Encontrarás becos.
Vá desatento pelas estradas
E encontrarás labirintos.
Ande radical pelas estradas
E encontrarás um vazio.
Atravesse distraído as estradas
E te verás atropelado por falsos amigos.
Passe voando sobre as estradas
E te sentirás solitário, não livre.
Atira-te pirado nas calçadas das estradas
E te encontrarás perdido.
Fique bêbado nas esquinas das estradas
E não te verás.
Perambule chorando pelas estradas
E encontrarás a chuva.
Ande julgando pelas estradas e te verás condenado.
Vá confiante pelas estradas
E encontrarás o Sol.
Pare para te criticar nas estradas
E te verás crescendo.
Caminhe sorrindo pelas estradas
E te verás vivendo.
Ande...
E encontrarás o caminho.

Nêmora Franco

30.06.1981

sábado, 8 de março de 2014

GÉLIDA


Uma caixa,
Sem vida vazia.
Uma caixa fria,
Gelada,
Fim de sorvete,
Fim de morangos,
Azeda.
Cheia de nada
Com medo
Mal amada
Uma caixa gelada,
Sem nada,
No fim,
Amassada.
Jogada fora,
Anulada.
Uma embalagem de pó,
Leve,
Limpa,
Inútil,
Só.

Nêmora Franco (Néka)

29.09.1983

PAIXÃO

Ai que paixão estranha!
Foi chegando de mansinho,
Se instalando “na manhã”.
Ai que paixão alucinada!
Me tira o sono,
Me faz perambular de madrugada.
Ai que paixão maluca!
Não esquece da tua boca
Nem o cheirinho da tua nuca.
Ai que paixão de verdade!
Me tira a fome
E me mata de saudades.
Ai que paixão cruel!
Que explode na Terra
E me faz flutuar no Céu.
Ai que paixão,
Que vibração
Que piração...
Ai!

Nêmora Franco ( Néka)
01.10.1982



“TETO”


A tez macia,
O peito nu,
Claro como a lua cheia,
Cheio de alegria.
As pernas cruas,
As costas nuas,
Nuas como as palavras,
Como os versos,
Como as luas.
As mãos decididas,
Os pés no chão,
O sangue nas veias
A decisão.
A poesia da vida,
A vida quente,
O carinho na pele,
A Terra ardente.
O apito de um navio
O trem que partiu,
A esperança que fica,
Água fresca da “bica”.
O caminho obscuro,
O claro, o escuro
O cabelo cacheado
O gesto cansado.
O jeito esperto
Horizonte certo,
Peito aberto...
E no fim... o teto.

Nêmora Franco (Néka)
29.09.1983


AMARELECIDO



Alfarrábio, livro velho,
Machucado pelo tempo.
Cicatrizes antigas,
De ilusões passadas,
De paixões ultrapassadas.
Livro do que já foi,
Livro do que será,
Livro de previsões,
De segredos,
De confissões.
Poesia da donzela prometida,
Romance do moço encantado,
Conto do império,
                     Da república.
Livro aberto,
Angustia do algo passado.
Lágrimas de páginas amarelas.
Ancião de alegria,
Sorriso consolante,
Centenário de lutas
De negros,
Mulheres
E pobres
Hoje triunfantes.
Gente registrada por uma mão cansada,
De um qualquer perdido no tempo...
Livro de amor
Sem capa
Sem título
Sem autor

Madrugada de ontem,
Alguém ébrio de vírgulas,
Sentado no tempo, 
Com pena e nanquim,
Nasce todo dia,
Inclusive hoje,
Quase no fim.

Nêmora Franco (Néka)

19.01.1984 (Quintão-RS)

A RUA


Uma rua simplesmente.
Nem minha, nem tua,
Deles, daqueles que a usam
Nas sombras da Lua.
Rua onde o aleijado
É ridicularizado.
Onde de dia é uma coisa
De noite outra.
Onde o pobre é motivo de risadas
Onde crianças desprotegidas,
Por nada levam palmadas.
É na rua que o pobre pede ajuda
E é na rua que não é ajudado.
É na rua que um rosto pede amor
E é tachado de mal amado.
Nesta rua...
Algum dia alguém gritou socorro,
E quem lhe respondeu foi o Eco,
Pois ajuda é o que nesta rua não existe.
O de calça curta é “marreco”,
O de calça boca larga é “jecão”,
Nunca foi lugar de inspiração.
Tudo nela é estranho,
Amizade é raridade
Tudo pesadelo, nunca sonho.
Nesta rua...
Não existe quem não foi assaltado,
Num ônibus lotado,
Nem quem nunca “pechou” em alguém,
Que não passava de um simples ninguém.
Esta rua é muito conhecida...
Não tem volta,
Só tem ida,
É a rua da vida.

Nêmora Franco (Néka)

12.11.1979

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

CURTO



Como é que tu resistes ao choque térmico,
Misturado ao elétrico,
Que te faz sentir
Um próton cercado de elétrons?
Solte esta resistência
Cause um curto circuito...
Liberte-se.

Nêmora Franco (Néka)

1986

BANCO



O bancário agencia o lucro,
                                 Puto,
Sem vontade de aplicar insumos,
                                     Insultos,
                                     Insulina.
O banqueiro bolina...
Cada nota,
Arrota com as mãos na pança,
Cantarola, dança.
Um "tança".

Nêmora Franco ( Néka)
1987


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O ESCURO DO SOL E O CLARÃO DAS TREVAS



Todos os dias nos confrontamos com sentimentos...
Ódio...amor...tristeza...felicidade; coisas de momentos.
Outros dias nos damos cara a cara com a verdade...
Ricos...pobre...doentes...saudáveis
Cinzas da realidade.
Realidade crua
Que nos despe, deixando-nos nuas.
Realidade de fraquezas,
De mágoas e de riquezas!
Realidade de ilusões:
Os ricos são felizes
Os pobres também o são.
Realidade chocante:
A fé, a saudade, a paz, a alegria,
Não privilégios de alguns,
Incomuns!
Realidade irônica:
Ri de mim, de ti, de nós.
Por que não somos seres biônicos,
Temos fraquezas...senão agora?  Logo após!
Mas o que vimos e passamos,
Nos faz crescer,
Ir amando
Nos faz entender além.
Nos faz continuar aprendendo,
Que existe também...
A realidade contraditória:
Não há escuro sem restos de luar...
Não se pode odiar, sem um dia amar.
Assim como sempre será...
Entre Adãos e Evas,
O escuro do sol
E o clarão das tevas.

Nêmora Franco  (Néka)
05.06.1982




NEL


A saudade bate,
      A luz apaga,
      O som cala,
                 Para
                        “TARA”
Eu na minha,
                Mais na tua,
              Quase muda,
                   Quase lua
                                “MUSA”
Tu na tua,
              Mais na minha,
                      Quase mel,
                      Quase fel,
                                      “NEL”
Onde a fala,
         A mata,
           A lua,
           Em nós
                       “REFLETE NUA”
Assobia veloz,
           Veluda,
                Crua,
                Leve
                         “FELPUDA”
E nós, a sós, a mão,
                      No sol,
                      Na luz,
                              “NO CHÃO”
Sem rumo, rumamos,
                       Voamos,
                     Andamos,
                               “AMAMOS”


Nêmora Franco (Néka)
18/04/1984


sábado, 15 de fevereiro de 2014

SOLUÇÃO NOVA



O sangue escorria do garrafão...
O sangue escuro,
O sangue nobre.
Os carros rodavam em cima do líquido,
Pouco ligavam para a nobreza do dito.
Os cacos rolavam em migalhas,
E esmigalhada ficou nossa vontade de beber.
Nós estáticos diante do ocorrido.
O acidente foi tão trágico, que ninguém teve  a iniciativa de ajudar.
O líquido,
          A esperança,
                   Os planos,
                       A vontade,
Ou seguiam a cor ou permaneciam com os cacos.
E nós inanimados,
          Desanimados...
A liberdade chega mais rápido que a evaporação total do alcool.
A nova ideia...
A grana pro vinho novo,
A compra da nova esperança,
A ressurreição da vontade de beber,
Beber muito,
Até esquecermos que bebemos
ou que perdemos a bebida.

Nêmora Franco (Néka)

06.12.1982



Poesia Manuscrita

COLORINDO



Corre por entre as veias
Novos e velhos
Sob a custódia do mar.
Sem silêncio, sem gritar
Sem murmúrio, nem calar.
Falando somente
De cobre, sem corte
Claramente.
Se pintar o artificial,
Nada de raiva, nem ira,
Tudo bem, tudo natural.
E com a paz de cada grão estará perfeito,
Sob a luz do Sol
Sem escuridão, sem defeito.
Eu no meu canto,
Tu no teu,
E nós no encanto.
E em respeito a Lua,
Tu tira a roupa
E eu fico nua.

Quando a flor crescer,
E florescer
Tu vai me bulir
E eu vou sorrir.
E nós vamos plantar
Grãos de paz
E nós vamos semear algo mais
Do que falar
Amar.

Nêmora Franco

13.04.1983

TRANSAS



Te colo, descolo,
Coloco,
Te escondo,
Rondo.
E por entre brilhos,
Beijo teus cílios.
É uma transa de “cuca”,
Ou de paixão maluca,
Que não esquece nem a nuca.
E “piro”
Também brilho,
No teu corpo...
Rolo
E te enrolo
E caio como um pato.
Te “curto” de fato.
O fato de que me fascinas,
Que me fazes sonhar,
Que me “transas”
E  me “destransas”
E me fazes transar.
E que me encabula
Que não me anula
E me ensina a amar.

Nêmora Franco (Néka)

10.03.1983

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

REBELIÃO

Como animais de carga seguimos indignados...
O chicote rasga os nossos corpos e nos queima.
O sangue escorre da consciência
Causando um derrame cerebral,
                                            Marginal.
Agimos como irracionais, irracionalizando a massa
E o maçante massacre nos amassa.
O pilão nos soca para o fundo do fundo,
E gozamos, gozamos uma dor insaciável.
Um grito ecoa...
Ecoa, por que alguém terá que gritar
E muitos deverão escutar.
O prazer do superior chega ao fim
E a rebelião se arma.
O pilão apodrece,
Enquanto o outro poder se inflama.
O órgão do poder é outro,
A liberdade está explicita
E a epiderme sensivelmente exposta aos curativos do sol,
Enquanto os campos florescem de flores silvestres,
                                                                          Campestres.


Nêmora Franco (Néka)

14.11.1983

MEU MUNDO

Eu quero...
Ter o dom da palavra,
Dançar o som do cotidiano,
Ouvir palavras que me fazem bem,
Gritar sim,
Chorar de alegria,
Caminhar descalça,
Xingar uma pedra,
Viver de sonhos,
Traçar o caminho certo,
Escalar o penhasco da vida,
Ser independente,
Competir, vencer,
Adorar uma estrela,
Me apaixonar por um cometa,
Encarar o sol,
Amar o nada,
Passear numa nuvem,
Sorrir,
Ser feliz;
Construir um trampolim num lado da terra
Dar um salto ornamental
E cair no meu mundo.


Nêmora Franco (Néka)

PASSEIO

Risco no ar.
Grito pro mar.
Falo com os surdos,
Ouço os mudos.
Fabrico um pingo,
Choro, xingo.
Vida lição,
Vida emoção.
Voo alto...
Caio,
Sou papagaio.
Vento soprando,
Vida cantando.
Povo liberto,
Caminho incerto.
Tempo correndo,
Gente morrendo.
Vida vivida...
... morte morrida.


Nêmora Franco ( Néka)

Pauta

 Pauta não falta, tinha até o Plauto da Flauta! Baixa ou alta? Baixada, sem alta. Troca a pauta A Pauta é Cancún. no litoral do Brasil?  Sou...