quarta-feira, 30 de julho de 2014

GUERRA



Diante da folha branca pautada...
Aquela vontade de escrever algo,
Algo que me explicasse,
Que deste baixo astral me tirasse.

Falta de inspiração...
Sem brilho, sem ação,
Sem luz, sem paixão.

De repente a mão treme
Muito a fim de dizer algo
Alguma coisa...

Começa a corrida incessante
Palavras que expressem
O interior quase vazio.
Uma guerra!

É como se uma aura protetora
Envolvesse a folha de papel
Que agora já se enche
De meias palavras,
Meias frases,
Meias verdades.

Tudo nubla.
Falta um muso inspirador!
Perto de desistir...
Na reta final...

Sai um pingo de caneta,
Manuseado pela ponta da tinta
Que suja o branco da folha.
E acaba a paz.

Treme a mão que rabisca
risca...
E a poesia se arrisca.

Nêmora Franco (Néka)
07.10.81


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